Como mulher mora e trabalha dentro de ônibus em montanha no interior de SP; VÍDEO
22/04/2026
(Foto: Reprodução) Comerciante mora e trabalha em ônibus no topo de montanha no interior de SP
Há seis anos, a comerciante Jaqueline Teles mudou completamente a rota da sua vida e o CEP de sua residência. Do alto do Morro do Fogão, em Itirapina (SP), ela se estabeleceu em um ônibus customizado de lar e lanchonete.
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A 1.040 metros de altitude, Jaque se fixou como uma verdadeira guardiã do local em meio ao trabalho, natureza e tranquilidade. O local fica na Serra de Itaqueri, a 25 km da cidade.
“Morar aqui é um sossego. Minha família entende que é uma escolha de vida e de trabalho. Minha mãe ficava preocupada, mas é meu trabalho, meu comércio e meu estilo de vida. Hoje não troco por nada”, contou.
A casa-ônibus tem um quarto adaptado com uma sala e uma cozinha industrial, que fica separada do cômodo dormitório. O banheiro fica do lado de fora.
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Jaqueline Teles não troca o Morro do Fogão, em Itirapina, por nenhuma cidade
Amanda Rocha/g1
Mudança gradual nas alturas
O Morro do Fogão é uma propriedade particular e ganhou mais visibilidade durante a pandemia por ser um espaço a céu aberto.
No início, a moradia de Jaque era apenas uma barraca utilizada aos finais de semana para vigiar o espaço, quando o morro passou a atrair visitantes interessados em apreciar a paisagem panorâmica e o pôr do sol.
“Eu vinha de barraca com meu ex-marido e ficávamos aqui de sexta a domingo cuidando do lugar, vendíamos bebidas e comidas. Depois compramos o ônibus e nos mudamos de vez, é o meu lugar”, disse.
Jaque e a dona da casa, a pinscher Nina, em momento relax na cama do ônibus
Amanda Rocha/g1
Bar-lar
A lanchonete-ônibus funciona de segunda-feira sexta-feira, das 8 às 18 horas, e aos finais de semana das 7h às 19h. Café da manhã, porções, refrigerantes e cervejas estão garantidos no cardápio nas alturas. Não é cobrado valor de entrada, apenas bom senso, como costuma frisar a comerciante.
“Aqui é lindo mesmo, é um privilégio poder estar aqui. Como a gente não cobra entrada, pedimos apenas bom senso e respeito. As pessoas precisam ter noção de que aqui não é o quintal da casa delas”, frisou.
Lar-bar: ônibus foi adaptado para moradia e lanchonete no Morro do Fogão, em Itirapina (SP)
Amanda Rocha/g1
A comerciante comentou que em um final de semana chega a receber até 300 pessoas. Grupos de ciclistas, motoqueiros, casais e famílias são os visitantes mais frequentes.
Para quem acampa, é permitido levar alimentos e bebidas. Já para visitantes é proibido coolers e alimentos. A única taxa cobrada é para quem utiliza o chuveiro para banho.
Camping e termo de responsabilidade
Morro do Fogão fica a 1040 metros de altitude, e tem vista privilegiada da região de Itirapina
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Para quem curte acampar, tem lugar de sobra para escolher e se aconchegar com uma vista linda e restauradora. No entardecer, dá para ver várias cidades despontando no horizonte, como Piracicaba, São Pedro, Águas de São Pedro, Brotas, São Carlos (SP), entre outras.
Para acampar lá é preciso respeitar as regras do espaço e assinar um termo de responsabilidade sobre a propriedade. É proibido acender fogueira e ouvir som alto à noite. O local tem coleta de lixo, e a pessoa deve levar até a lixeira.
Em uma ocasião recente, a comerciante contou que um grupo de pessoas acendeu uma fogueira que se transformou em um incêndio, felizmente controlada pela Polícia Militar Ambiental (PMA). Nestes casos, a PM é acionada e a multa é aplicada pela PMA.
Vista e trilhas encantam visitantes no Morro do Fogão, em Itirapina
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Respeito à natureza
Mulher de fé, ela contou que vive protegida ao lado de seus três cães de guarda: o rotweiler Boris, o pastor Thor e a pinscher Nina. O amigo e empresário, Arthur Bolognezi Junior também estacionou por lá e mora temporariamente em uma cabine de caminhão.
Entre manhãs ensolaradas, neblinas e chuvas, o único receio dela é em relação a mudanças drásticas no tempo. No final do ano passado, uma tempestade de vento quase a fez desistir de morar no local.
“Eu costumo dizer que não tenho medo de gente, tenho medo da natureza, dos ventos fortes, mas tenho Deus comigo o tempo todo. Quando deu a tempestade, ventou a 120 km aqui em cima. Eu coloquei mais de 20 pessoas dentro do ônibus, voou cadeiras e a tenda”, contou.
No momento, o busão passa por reformas para um melhor atendimento ao público. Após a tempestade de vento, Jaque ficou um pouco traumatizada com o clima e decidiu construir um espaço de alvenaria para garantir mais segurança.
Jaque e seus fiéis escudeiros no topo da montanha em Itirapina
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Além do público e clientes, Jaque sempre recebe amigos para noites de filmes, conversas e noites estreladas.
“Aqui é uma paz, fiz um quarto e sala e quando recebo meus amigos , nos reunimos, assistimos uma TV, conversamos. Não precisamos de muito para ser feliz . Eu já me acostumei e não gosto mais do barulho da cidade”, finalizou.
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